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	<title>Medicina do Estilo de Vida &#187; Escolas</title>
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		<title>Você Sabe Falar Português?</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Jun 2010 13:05:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dr. Alexandre Feldman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como a reforma ortográfica pode afetar nosso bem-estar e saúde. Como ela distancia gerações. Como nivela a todos por baixo. São reflexões que você encontrará neste [...]]]></description>
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<h3>A Reforma Ortográfica e o Declínio da Cultura no Brasil</h3>
<p style="text-align: justify;">
<div id="attachment_313" class="wp-caption alignright" style="width: 132px"><img class="size-full wp-image-313" title="ortografia" src="http://medicinadoestilodevida.com.br/wp-content/uploads/2010/06/escrita.jpeg" alt="Reforma Ortográfica e suas consequências negativas" width="122" height="150" /><p class="wp-caption-text">Reforma ortográfica traz desconforto e mal-estar</p></div>
<p>É fato que muitas pessoas que hoje ocupam os mais importantes cargos públicos do Brasil, nem sequer frequentaram escolas. Outros frequentaram mas pouco estudaram, pouco aprenderam.</p>
<p style="text-align: justify;">É desolador que decisões sobre rumos da educação deste país estejam nas mãos de pessoas assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Claro que ninguém é melhor que ninguém por ter estudado. Muita gente ruim frequentou ótimas escolas e muita gente boa, ocupando ótima posição socioeconômica e detendo sucesso pessoal não frequentou nenhuma escola.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas cada um pode possuir características diferentes, por ter ido ou não à escola: pode pertencer a grupos sociais e intelectuais diferentes, com base nas escolas frequentadas, livros lidos, línguas faladas, viagens realizadas. <span id="more-312"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Nos países que mais difundiram sua cultura e ciência ao mundo ao longo da História, como Inglaterra, Estados Unidos, França e Alemanha, de forte tradição cultural e científica, berços de indivíduos que moldaram e continuam a moldar as fronteiras do conhecimento literário, filosófico, matemático e científico (justamente o tipo de conhecimento que somente se pode aprender em escolas), a língua (idioma) é o maior tesouro.</p>
<p style="text-align: justify;">O idioma é a forma de comunicar. Do idioma depende a compreensão e difusão da informação a ser passada. Escolas têm como atributo justamente difundir e assegurar a compreensão e aplicabilidade dessa herança de milênios de conhecimento humano. Se o idioma é simples e claro, o processo de transmissão e aprendizado de cultura e erudição é livre de obstáculos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma coisa é certa: o idioma português não é nada simples. Assim, para comunicar uma idéia de forma clara, de modo que alguém compreenda exatamente o que se quis originalmente dizer numa sentença falada ou escrita, é preciso escolher dentre uma multidão de maneiras diferentes de falar ou escrever. Isso causa um impacto negativo na produção acadêmica, na difusão dessa produção para o resto do mundo, na interpretação do que foi falado ou escrito e, portanto, até mesmo no ensino, no aprendizado e no nosso próprio bem-estar. É muito ruim <em>não saber</em> se aquilo que falamos ou escrevemos pode ser não-intencionalmente mal interpretado.</p>
<p style="text-align: justify;">E pode isso causar impacto negativo na nossa saúde? Claro que sim! Dependendo do que está em jogo para ser comunicado (desde uma simples lição escolar, uma situação na nossa vida em sociedade, até uma denúncia policial), o modo como uma sentença – que deveria ser objetiva – foi exposta, pode significar o fracasso. E o fracasso traz consigo <em>stress</em>, mau humor, tristeza, depressão, mudança de comportamento, prejuízo no relacionamento social, familiar, diminuição da auto-estima – enfim, uma espiral descendente que leva, inexoravelmente, à perda da saúde. Não é um exagero afirmar que nosso sucesso e saúde dependem, em vários níveis, do modo como nos expressamos.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos países prósperos,  língua e ensino são patrimônios em evolução <em>sim</em>, porém ao mesmo tempo dotados de estabilidade e previsibilidade de modo a preservsar uma norma culta que não prejudique a comunicação clara das idéias, muito menos gere conflitos notórios de comunicação entre gerações. Por favor note que estou me referindo à <em>norma culta</em> e não à <em>gíria</em>, pois gíria é um caso à parte.</p>
<p style="text-align: justify;">Estudos já demonstraram, repetidamente, que povos – agrupamentos sociais de crianças e adultos – vivendo ambiente social, costumes, valores e tradições estáveis, são mais felizes, mais unidos e mais saudáveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Recentemente, no Brasil, tivemos duas reformas, a meu ver irresponsáveis e danosas às famílias, valores, tradições e bem-estar: uma escolar e outra ortográfica.</p>
<p style="text-align: justify;">Ambas destróem tradições, distorcem valores familiares, prejudicam comunicação entre gerações., defasam obras literárias e sites na internet.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a reforma ortográfica, tudo o que se aprendeu e escreveu até hoje, em português, de repente <em>está errado</em>!!  A acentuação,  hifenização, construção das palavras! De que adianta eu ter estudado por mais de uma década numa escola tradicional, conceituada, gabaritada, se todo o português que eu aprendi agora se tornou <em>defasado</em>, “<em>coisa de velho”</em>?</p>
<p style="text-align: justify;">De que adiantou um coleguinha meu da escola ter “bombado” (repetido de ano) em português? De que adiantou eu ter passado de ano com notas tão boas em português? <em>Agora nós dois estamos nivelados por baixo, ou seja, nós dois não falamos e escrevemos português corretamente!</em> De que adiantou eu ter dedicado dias, horas, meses, anos de minha infância e adolescência, aprimorando, polindo, meu português??</p>
<p style="text-align: justify;">Para que fiz isso? Para me comunicar melhor, sem dúvida. Mas a partir de agora, quando eu continuar a escrever, por exemplo, idÉia em vez de idEia, cefalÉia ao invés de cefalEia, mussarela ao invés de mOÇAarelaA (arrrrgh!!!) serei considerado errado e defasado. Tiraria <strong>zero</strong> numa prova de português.</p>
<p style="text-align: justify;">A maneira de escrever em português simplesmente <em>mudou</em> de uma hora para outra. E essa não foi a primeira vez.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso distancia as gerações, pois quem passou a vida aprendendo e utilizando de um jeito, dificilmente se adequará completamente às novas (e cada vez mais confusas) regras, e será estigmatizado pelos mais novos como alguém que não domina corretamente seu próprio idioma.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim é que, na prática, <em>ninguém REALMENTE fala ou escreve português</em>, sem um professor de português (super atualizado) constantemente ao seu lado. Daqui a pouco, nem os professores de português vão saber corretamente. Eles vão perder mais tempo aprendendo tudo de novo que ensinando.</p>
<p style="text-align: justify;">Quanto à (será que esse “a” ainda tem crase??) reforma escolar: para um pai, o que era pré-primário agora virou primeiro ano. O que já foi, no passado, denominado “científico” se transformou em “colegial”, para depois se transformar em “segundo grau”, e agora ter se transformado em <em>não-sei-o-que</em> (e esse “que”, será que tem circunflexo?? E os hífens, então???).</p>
<p style="text-align: justify;">Quando eu sento para conversar com meu filho sobre o que ele está aprendendo no “quarto ano”,  eu não sei dizer a ele o que EU estava aprendendo no “quarto ano,” simplesmente porque eu não tive “quarto ano”. Eu posso ter tido “quarta série do ginásio” ou “do primário”, e portanto não consigo me localizar, me identificar no cronograma escolar atual. Isso gera distanciamento de gerações. Num país que leva sua cultura, tradição e idioma a sério, o conceito de “quarto ano” é o mesmo há muitas gerações. Não apenas o conceito, mas também o conteúdo e a idade correspondente coincidem. Isso é bom porque aproxima, identifica uma geração com a outra. Por mais que muitas mudanças ocorram entre gerações, você sempre vai saber que “com 10 anos você estava no 4<sup>o</sup> ano”. E por mais que as gírias sejam diferentes, as músicas e as roupas sejam diferentes, o CONTEÚDO do 4 ano, a álgebra do 4<sup>o</sup> ano, a georgrafia do 4<sup>o</sup> ano, o português do 4<sup>o</sup> ano, são equivalentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Você consegue entender como tudo isso prejudica nossa sociedade, nossas relações, valores e tradições?</p>
<p style="text-align: justify;">Concluindo, no Brasil, na prática, <em>todo mundo fala português e todo mundo não fala!</em> Todo mundo escreve, mas ninguém escreve certo.</p>

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		<title>A Melhor Escola para Nossos Filhos</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Sep 2009 14:42:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Dr. Alexandre Feldman</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Todos querem dar boa educação aos filhos. Mas qual a melhor escola? Na minha opinião, as escolas convencionais pararam no tempo e não são a melhor alternativa. A Escola Lumiar não possui fins lucrativos e oferece um sistema muito inovador de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[
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<p style="text-align: justify;"><img class="alignright size-full wp-image-222" title="escola" src="http://medicinadoestilodevida.com.br/wp-content/uploads/2009/09/escola.jpg" alt="escola" width="380" height="161" />Antes de colocar meu filho pequeno na escola, refleti sobre quais frutos gostaria que ele colhesse como resultado de sua educação:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li>Otimismo</li>
<li>Imaginação</li>
<li>Criatividade</li>
<li>Lliderança</li>
<li>Integridade</li>
<li>Coragem</li>
<li>Ousadia</li>
<li>Perseverança</li>
<li>Compromisso com a excelência</li>
<li>Reverência pelo passado</li>
<li>Esperança pelo amanhã&#8230;</li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Todo mundo quer dar uma boa educação a seus filhos. Mas qual a melhor escola para isso? Serão as escolas convencionais a melhor alternativa? <span id="more-200"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Na minha opinião, as escolas convencionais pararam no tempo. Elas continuam como sempre fizeram, agrupando seus alunos em &#8220;salas de aula&#8221;, nas quais todos aprendem principalmente a <em>ficar quietos</em> escutando, passivamente, um professor – aula após aula, horas a fio, dia após dia, ano após ano. Será que isso é aprender <em>liderança</em>, c<em>riatividade</em> e todas as demais qualidades enumeradas acima?</p>
<p style="text-align: justify;">Transcrevo abaixo as palavras de Sir Ken Robinson, especialista de renome mundial na área de educação:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">Quem aqui discorda que as crianças têm capacidades e potencialidades realmente extraordinárias – principalmente de <em>inovação</em>? Todas as crianças possuem talantos maravilhosos, que acabamos desperdiçando sem dó nem piedade em salas de aula onde nada se <em>cria</em>, muito menos se <em>inova</em>, e sim se <em>ouve passivamente sem questionar</em> – e com a ameaça constante de provas e notas baixas.</p>
<p style="text-align: justify;">Na minha opinião a <em>criatividade</em> e <em>inovação</em> deveriam ser tão importantes quanto a <em>alfabetização</em> no processo educativo básico, e deveriam ser tratadas com o mesmo vigor.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Você já se perguntou como uma criança pequena, que ainda não entrou na escola, consegue aprender <em>tanto</em>? A criança aprende, por exemplo, a <em>falar</em> os idiomas da casa (desde que os pais se comuniquem com ela nesses idiomas). Todos sabemos a dificuldade que é aprender a falar um idioma – não apenas a imensa coordenação necessária para movimentar boca, língua e todo o sistema fonador de modo a formar palavras e frases, mas também a necessidade de memorizar palavras e utilizá-las em frases estruturadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Como é que as crianças aprendem a falar? Elas <em>balbunciam</em>. Erram sem medo e através de novas tentativas vão aprendendo até a perfeição, brincando e se divertindo durante todo o processo.</p>
<p style="text-align: justify;">Para aprender a andar não é diferente. Elas <em>tentam</em>. Engatinham. Se movimentam das formas mais esdrúxulas e até engraçadas. Cometem toda sorte de erros e caem durante toda a primeira infância. Não temem ser desengonçadas nesse processo.</p>
<p style="text-align: justify;">Diz Sir Ken Robinson em uma de suas famosas palestras:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;">O que isso nos mostra? Que as crianças, quando não sabem uma resposta ou solução para aquilo que desejam fazer, “chutam” a resposta, e assim balbunciam, engatinham, <em>criam,</em> <em>aprendem</em>. Ao criar novas soluções elas podem cometer erros – e cometem! – porém no final acabam aprendendo. As crianças, antes de entrar na escola, não têm medo de <em>ousar</em>, <em>errar</em>, <em>criar </em>e <em>perseverar</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">É claro que <em>errar</em> não é sinônimo de <em>ser criativo</em>. Mas para <em>criar</em> é preciso <em>errar</em>. Se você não for preparado para <em>errar</em>, certamente jamais surgirá com algo <em>criativo</em> e <em>original</em> em toda a sua vida. Quanto mais <em>provas</em>, maior a chance do indivíduo temer o erro, abandonar a criatividade e <em>estudar sem questionar</em>, para tirar a melhor nota possível. E assim, ao atingir a idade adulta e o mercado de trabalho real que recompensa, e muito, a criatividade, a maioria dos indivíduos já perdeu esta capacidade.</p>
<p style="text-align: justify;">A escola estigmatiza os erros. Pune-os da pior forma possível. <em>A escola</em> <em>educa as pessoas a se afastarem de sua capacidade criativa.</em> Foi Picasso quem afirmou, <em>&#8220;– Todas as crianças nascem artistas. O problema é permanecerem artistas conforme vão crescendo.</em>&#8221; Em outras palavras, se um indivíduo não se desenvolve no seio da criatividade, ele a <em>perde</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">Nas escolas convencionais, a criança vai adquirindo um medo cada vez maior de <em>errar</em>. O sistema educacional enxerga os <em>erros</em> como a pior coisa que pode acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os sistemas educacionais possuem a mesma hierarquia de matérias. No topo está a matemática e o português, mais abaixo estão as ciências humanas, e por último as artes. E dentro das artes também existe uma hierarquia: a pintura e a música recebem uma importância maior nas escolas que as artes dramáticas e a dança.  Não existe uma escola no mundo que dê a <em>mesma</em> ênfase ao ensino da dança que ao ensino da matemática. Por que? A matemática pode ser muito importante, mas com certeza a dança também é.  Todas as crianças têm vontade de dançar, todos os adultos mexem o corpo ao som de uma música. Afinal, todos nós <em>temos</em> um corpo!  Conforme as crianças crescem, a atenção à sua educação vai se voltando progressivamente da cintura para cima.  E por fim, focaliza-se na cabeça – infelizmente, apenas em um único hemisfério do cérebro.</p>
<p style="text-align: justify;">Para que serve o &#8220;sistema educacional&#8221; prevalescente? O que a educação convencional almeja? O que acontece com aquele aluno que faz tudo o que deve? Quem é o mais favorecido? Quem vence nessa competição? Tipicamente, são pessoas que acabam vivendo inteiramente <em>dentro de suas cabeças</em> – mais que isso: em um único lado de seus cérebros cerebrais – como se fossem desprovidos de corpo. Olham para seu corpo como um meio de transporte para suas cabeças.</p>
<p style="text-align: justify;">Nosso sistema educacional é baseado na noção de capacidade acadêmica. E isso tem um motivo: todo o sistema educacional atual foi inventado no fim do século 19. Ele passou a existir com a finalidade de atender às necessidades da industrialização. A hierarquia desse sistema é baseada em duas noções:</p>
<p style="text-align: justify;">1)   Os tópicos mais importantes para o trabalho num sistema industrial se encontram no topo da hierarquia. O foco dos alunos é gradualmente desviado de uma série de assuntos e coisas que a criança originalmente gostava, sob a justficativa que um indivíduo jamais conseguirá um emprego dedicando-se a essas coisas e assuntos. “<em>Não se dedique tanto à música, você nunca será um músico</em>”. “<em>Não se dedique tanto à pintura, você nunca será um artista</em>”. Conselhos bem-intencionados – porém, nos dias atuais, profundamente equivocados.  O mundo inteiro está passando por uma verdadeira revolução neste sentido.</p>
<p style="text-align: justify;">2)   Capacidade acadêmica, a qual passou a dominar nossa visão sobre inteligência, pois as universidades criaram o sistema à sua própria imagem e semelhança. Se você imaginar que todo o sistema educacional nada mais é que um sistema protraído objetivando o ingresso à universidade, a consequência é que muitas pessoas altamente talentosas, criativas e brilhantes acabam achando que não valem nada! Afinal, eles nunca foram bem na escola, nunca foram valorizadas e sempre foram estigmatizadas sem dó nem piedade. E na minha opinião, isso não deveria continuar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos próximos 30 anos, segundo a UNESCO, mais pessoas no mundo vão se formar na faculdade que em todos os tempos desde o início da história das civilizações. É a combinação de tudo o que já foi falado: a tecnologia e seu efeito transformacional no sistema de trabalho, aliados à demografia, à explosão populacional. De repente, ser formado na faculdade passa a não valer mais nada. Décadas atrás, se você se formasse você tinha emprego garantido.  Hoje em dia, o aluno se forma e precisa continuar fazendo um mestrado, doutorado, MBA, pós-doutorado e por aí vai.  É a <em>inflação acadêmica</em>. E isso indica, para quem quiser ver, que toda a estrutura educacional está profundamente abalada.</p>
<p style="text-align: justify;">Precisamos repensar radicalmente nossa visão da inteligência. Sabemos 3 coisas sobre a inteligência:</p>
<ol style="text-align: justify;">
<li><strong> </strong> A inteligência é diversa. Nós podemos conceitualizar o mundo através de todas as formas sensoriais: visualmente, sonoramente, cinestesicamente, abstratamente.</li>
<li>A inteligência é dinâmica. Se observarmos as interações do cérebro humano, compreenderemos facilmente que a inteligência é maravilhosamente interativa. O cérebro, na prática, <em>não</em> é dividido em compartimentos. Tudo está integrado. A criatividade, que pode ser definida como o processo de ter idéias originais que tenham valor, é resultante quase sempre da visão das coisas através de uma abordagem <em>interdisciplinar</em>.</li>
<li>A inteligência se manifesta de forma diferente para cada indivíduo. Era uma vez, na década de 1930, uma menina de 8 anos que era a pior aluna de sua classe. A escola chegou a enviar uma carta aos pais, alertando que ela estaria sofrendo de um distúrbio do aprendizado, pois não conseguia se concentrar e vivia mexendo nervosamente as mãos e pés (algo que hoje em dia poderia se encaixar no espectro diagnóstico do <em>transtorno do déficit de atenção e hiperatividade</em>, TDAH. Mas na década de 1930 a TDAH ainda não havia sido “inventada”).  Ela foi levada a um médico, onde ficou por 20 minutos ouvindo pacientemente a mãe explicar a ele tudo o que a escola achava que estava errado: que ela não fazia a lição de casa, vivia mexendo nervosamente os dedos das mãos e assim por diante. No final, o médico disse à menina: &#8220;– <em>Eu ouvi atentamente tudo o que sua mãe disse.  Agora eu gostaria de falar com sua mãe em particular. Você espera aqui na sala e nós voltamos já.</em>”  Mas antes de sair da sala, o médico ligou um rádio que se encontrava em cima de sua mesa. Saindo pela porta, o médico sussurrou à mãe: “– <em>Apenas fique quieta e observe sua filha pela fresta da porta</em>.”  E a menina, sozinha na sala, levantou-se e começou a dançar ao som da música. Depois de alguns minutos de observação, o médico disse à mãe, “ – S<em>ua filha não está doente. Ela é uma dançarina, apenas isso.</em>”  E aconselhou: “– <em>Leve-a para uma escola de dança.</em>”  E essa menina se tornou uma multimilionária realizada na vida: a grande coreógrafa inglesa Gillian Lynne, que fez sucesso coreografando alguns dos mais famosos musicais da história da humanidade, como <em>O Fantasma da Ópera</em> e <em>Cats</em>. Talvez outro médico, nos dias de hoje, tivesse apenas medicado a criança para que ela se “acalmasse”.</li>
</ol>
<p style="text-align: justify;">Nossa esperança para a educação do futuro é a adoção de um novo conceito, onde se reconheça a riqueza do talento e capacidade do ser humano.</p>
<p style="text-align: justify;">O sistema educacional atual explora nossas mentes do mesmo modo que nós exploramos selvagemente nosso próprio planeta, em nome de uma ou outra <em>commodity</em>, numa visão totalmente reducionista.</p>
<p style="text-align: justify;">Precisamos repensar os princípios findamentais do ensino e educação de nossas crianças. Precisamos  celebrar cada vez mais o dom da imaginação humana. E precisamos usar esse dom sabiamente a fim de evitar algumas das situações acima. E a única maneira de se conseguir isso é reconhecendo o talento criativo pela riqueza que ele representa, e reconhecendo as nossas crianças pela esperança que elas representam. E assim, fazer da nossa meta a educação das nossas crianças como seres de corpo, mente e alma, a fim de prepará-las para o futuro. Um futuro que talvez não vejamos, mas que elas verão.</p>
<p style="text-align: right;">Sir Ken Robinson.</p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;"><strong><br />
</strong></p>

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