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A Péssima Alimentação nas Escolas e Hospitais

Escolas são lugares frequentados por crianças em fase de crescimento e desenvolvimento.

Hospitais são lugares frequentados por indivíduos (inclusive crianças) doentes.

Tanto escolas quanto hospitais deveriam se preocupar ao máximo em oferecer a alimentação mais saudável possível para seus frequentadores.

Com tantas notícias ambíguas sobre o que é uma alimentação saudável, uma coisa é unânime para a ciência: alimentos industrializados, aditivos químicos, corantes, conservantes, emulsificantes, aromatizantes, estabilizantes, adoçantes artificiais, açúcar branco, farinha refinada e óleos oxidados não são saudáveis. Definitivamente.

E é exatamente uma alimentação baseada nos produtos acima que as escolas e hospitais oferecem: bolos, bolachas, milk-shakes “químicos”, coberturas, doces de toda sorte, sucos industrializados, alimentos à base de farinha branca e açúcar refinado, ingredientes como óleos oxidados, aditivos químicos, conservantes etc.

Como é que uma escola pode ter a meta de formar indivíduos bem-sucedidos, se para ser bem-sucedido você precisa antes de mais nada ser saudável, e para ser saudável você precisa aprender a se alimentar?!!!

Como é que um hospital pode ter a meta de recuperar a saúde das pessoas, se oferece alimentos industrializados que roubam nossa energia e prejudicam nossa saúde?

Há uma semana troquei emails com uma nutricionista responsável pelos lanches de uma escola de São Paulo – lanches estes à base de pão francês, pão de forma, bolachas, carnes embutidas geléia industrializada, suco industrializado, bolos, caldas, e nem sequer uma fruta fresca. Sabem o que ela escreveu diante do meu questionamento? Que prioriza alimentos naturais e não refinados em seus cardápios!

Claro que todas as nutricionistas competentes que conheço ficaram tão indignadas quanto eu, quando mostrei a elas essa afirmação associada àquele cardápio de lanches escolares.

Ora, a ingestão de “calorias vazias”, como as que enumerei acima, rouba do organismo das nossas crianças vitaminas do complexo B, necessárias para a absorção destas calorias vazias.

A ingestão de alimentos à base de farinha branca está associada a um risco aumentado de obesidade e diabetes. A razão é simples: eles são fáceis de pegar, comer, possuem sabor agradável e causam saciedade muito passageira.

A ingestão de alimentos à base de farinha branca também está associada a um risco aumentado de cáries dentárias.

As empresas de panificação lançam mão de toda sorte de produtos químicos no intuito de fabricar pães que atendam a uma série de aparentes conveniências, como por exemplo, prolongar a “vida de prateleira”, manter uma aparência de “frescor”, criar uma crosta bem crocante e alaranjada, tornar o processo de produção mais “confiável”, “melhorar” a textura da massa, minimizar a contaminação por microorganismos indesejáveis, etc.

Para obter essas “conveniências”, as empresas de panificação costumam lançar mão de produtos nada saudáveis, como bromatos, usados para “melhorar” a farinha e que são tóxicos porque podem interferir com o metabolismo do iodo causando problemas na glândula tireóide, além de poderem causar câncer. Sim, os bromatos estão proibidos por Lei brasileira desde o início do Século 21, mas quem garante que seu uso não ocorre de maneira clandestina? Há que se ter cuidado para que esse veneno não chegue às nossas crianças. Nem aos nossos doentes nos hospitais. E o melhor cuidado é não oferecer o pão.

Outro exemplo são as margarinas, também conhecidas como gorduras vegetais, fontes de gorduras oxidadas e deformadas – e sim, até mesmo trans –, que podem causar toda sorte de prejuízos à nossa saúde e que são utilizadas quase que obrigatoriamente pelas panificadoras para prolongar a “vida de prateleira” de seus maravilhosos pães, bolachas, pães-de-queijo, bolos etc.

O cardápio dos lanches da maioria das escolas está excessivamente monótono. Quase todos os dias pão branco, bolacha ou bolo ( que se compõe de farinha refinada + açúcar refinado), quase sempre acompanhados de ingredientes industrializados como requeijão ou geléia – e nada de frutas frescas. Com a enorme disponibilidade de frutas frescas, in natura, que temos no Brasil, cada vez menos o cardápio das escolas tem oferecido frutas frescas!!! Mais se parece um cardápio de algum país gelado, sem muitas opções de frutas e com uma indústria alimentícia próspera que NA MINHA OPINIÃO PAUTA, SIM, as tabelas e diretrizes nutricionais que mais lhes convêm para serem seguidas por TODOS, inclusive pelo Brasil, país onde facilmente se encontram frutas in natura. De que outra forma explicar a ausência cada vez maior de alimentos in natura nos lanches das escolas? Na minha cartilha, alimentos in natura são mais saudáveis, nutritivos e adequados a crianças pequenas que “produtos alimentícios” industrializados e refinados. Cada vez mais raramente vejo frutas, muito menos um iogurte natural e integral, no cardápio de escolas e hospitais. Será que nossas crianças e doentes não precisam de probióticos no lanche?

Ingredientes Ocultos

Todos esses pães e bolos, por sua vez, levam margarina ou “gordura vegetal” à base de óleos vegetais os mais ordinários, altamente refinados, interesterificados e consequentemente oxidados, leite reconstituído, vitamina A sintética, mono e diglicerídios (que por uma brecha legal PODEM conter ácidos graxos trans, pois apenas triglicerídios são legalmente considerados como ácidos graxos, inclusive para fins de contagem calórica), lecitina de soja (quase sempre transgênica), benzoato de sódio (que na presença de ácido ascórbico, conservante presente em outros alimentos e também conhecido como vitamina C, se transforma em benzeno, conhecido agente cancerígeno), TBHQ ou butil hidroquinona terciária (que ativa o gene da tioredoxina, substância envolvida no crescimento celular e apoptose - Biochem J. 01/09/2006; 398(Pt 2): 269–277), aroma “idêntico ao natural” de manteiga, entre outros.

Bolachas Industrializadas

Bolachas industrializadas levam, além da gordura vegetal acima, açúcar invertido (ingrediente de altíssimo índice glicêmico que requer a produção de altos picos de insulina pelo pâncreas), xarope de milho de alto teor de frutose (que além de sobrecarregar o pâncreas satura a via metabólica da glicose, pois a frutose-1-fosfato produzida a partir da frutose por ação da frutoquinase hepática gera metabólitos a jusante do passo metabólico regulatório no nível da fosfofrutoquinase – o que significa que as vias que seriam naturalmente moduladas/retardadas por intermediários energéticos que afetam os níveis de fosfofrutoquinase NÃO são moduladas pela frutose), amido, fermento químico, lecitina de soja, enzimas como protease e alfa-amilase (produzidas a partir de microorganismos geneticamente modificados) etc.

Sucos Industrializados

Sucos industrializados podem conter açúcar, fosfato de potássio monobásico, cloreto de sódio (sal), ácido cítrico, benzoato de sódio, sorbato de potássio, “aroma idêntico ao natural” da fruta, reguladores de acidez, corantes artificiais (ex: “vermelho-bordeaux”, “azul brilhante”, etc), antioxidante (ácido ascórbico) (que reage com o benzoato de sódio produzindo benzeno, cancerígeno), extrato de soja (transgênica) etc.

Geléias Industrializadas

Geléias industrializadas podem conter xarope de milho de alto teor de frutose, carragena [cancerígeno de acordo com Environ Health Perspect 109:983-994 (2001)], ácido cítrico, benzoato de sódio, essência artificial de fruta, corantes artificiais potencialmente alergênicos, tartrazina etc.

Nitritos e Glutamato Monossódico

Salsichas e peito de peru, que podem constar no cardápio do lanche dos nossos filhos e dos nossos doentes hospitalizados, são carnes embutidas, altamente industrializadas e nada naturais que contêm nitritos (que no intestino formam nitrosaminas, cancerígenas) e glutamato monossódico.

Os Ingredientes Artificiais Interagem Entre Si

Vimos acima o caso da interação entre o benzoato e o ácido ascórbico, transformando-se em benzeno (cancerígeno). Mas saiba que praticamente não se tem idéia de todas as possíveis interações e consequências, entre tantos e tantos produtos químicos que se encontram em tantos e tantos “produtos alimentícios” diferentes.

Até que ponto se pode garantir que uma dor de cabeça crônica, uma síndrome da fadiga crônica, uma asma, uma síndrome do intestino irritável, uma alergia recorrente, uma doença autoimune, um câncer, não possam decorrer de uma sensibilidade química apresentada por um determinado indivíduo?

Você Pode Mudar Este Cenário!

Se as “autoridades de saúde” não estão tomando as devidas providências, isso não significa que você deve ficar aí parado. Não espere alguém fazer alguma coisa. Faça você. Leia mais. Informe-se. Estude. Questione. Exija cardápios naturais no lanche de seu filho na escola. Junte-se a outras pessoas que pensam como você. A união faz a força. Exija cardápios naturais para seus entes queridos hospitalizados. Se uma boa parte dos consumidores exigir um determinado padrão, um segmento do mercado passará a oferecê-lo. E lembre-se que afinal, você não estará exigindo nenhum absurdo – apenas alimentos in natura nas escolas e hospitais, como carne fresca, frutas e verduras frescas, ovos frescos, enfim, alimentos que sempre estiveram associados à boa saúde desde o início da Humanidade.

16 comentários para A Péssima Alimentação nas Escolas e Hospitais

  • Elisangela

    Olá Dr Feldman, primeiro que agradecê-lo por abrir nossos olhos quanto a alimentação saudável de verdade!!
    Tenho uma pergunta: O que o sr tem a dizer sobre o leite em pó (tipo Nan) que os pediatras tanto recomendam atualmente para nossos bebês?? Sou mãe e ao ler todos esses artigos fico desesperada com o futuro do meu filho em relação a alimentação realmente saudável num país tão ignorante nesse sentido. Agradeço desde já. Beijo!!

  • Iana

    Diva, eu também já ouvi falar do cloreto de magnésio para dores no sistema locomotor e tenho a mesma dúvida que você. Gostaria de saber o que o dr. Alexandre Feldman poderia falar a respeito.
    Maria Rê, minha filha também já ficou internada no Hospital Albert Einstein e eu fiquei surpresa com a qualidade dos alimentos servidos: todos industrializados, exceto frutas, mas que provavelmente não eram orgânicas.
    A pediatra me informou que eles assim o fazem por receio de contaminação alimentar, na manipulação dos alimentos naturais na cozinha, uma vez que ela é alta em hospitais!
    Minha irmã trabalha em hospital e me disse que é extremamente difícil controlar a manipulação correta na cozinha hospitalar e que, mesmo seguindo todos os passos de vigilância sanitária, uma mamadeira ainda ficou contaminada.
    Sinceramente, nem sei o que deveria ser feito.

    • Olá Lana (e Diva), o magnésio é um produto natural que comprovadamente é muito bom para o tratamento e prevenção de uma série de doenças. O melhor jeito de se suplementar magnésio é através de uma boa alimentação. Mas nos casos em que é preciso fazer uma suplementação extra de magnésio, minha primeira escolha não é o cloreto de magnésio, justamente por causa do cloreto (cloro), que não necessariamente é bom. A melhor opção, na minha opinião, para suplementação de quantidades extras de magnésio, é o hidróxido de magnésio pela via transdérmica. Leia o artigo que escrevi sobre este assunto, clicando aqui.

  • Fantástico. Absolutamente necessário a REAL qualidade de vida. Para tornar isso uma prática, comecemos a cobrar. Há que se ter uma disciplina inserida dentro de cursos de gestão hospitalar e gestão escolar: SEGURANÇA NUTRICIONAL.
    Não basta o alimento ser seguro física, química e microbiologicamente… ….ele deve acima de tudo, garantir a segurança com a integridade dos NUTRIENTES, pois são eles os provedores de materia-prima para nossas defesas e geração do BEM ESTAR.

    PARABÉNS PELA MATÉRIA!

  • Pude acompanhar, no início deste ano, a alimentação oferecida na unidade pediátrica do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Para minha tristeza, as crianças ali internadas recebem uma quantidade absurda de alimentos processados: sucos de caixinha (às vezes diet!), gelatinas com corante em todas as refeições, biscoitos doces e salgados industrializados, cereais repletos de açúcar, além do pavoroso leite em pó.

    Minha sobrinha, que passou uma semana internada, experimentou ali pela primeira vez boa parte dessas porcarias. Quando solicitados, eles até serviam sucos naturais, mas não senti que faziam isso de bom grado. Importante notar que esse hospital tem uma equipe grande de profissionais, inclusive nutricionistas. Eu realmente não entendo o que se passa numa faculdade de Nutrição para os formados sairem de lá reproduzindo padrões tão lamentáveis (é criança? suco, gelatina e biscoito. quer emagrecer? pão light com peito de peru. quer ganhar peso? macarrão e chocolate). Para piorar, temos a pressão da indústria de produtos alimentícios, que transforma a situação num verdadeiro crime.

    De qualquer forma, concordo plenamente com o que diz – é nosso papel lutar por uma alimentação melhor nas escolas e hospitais. E acho que devemos fazer isso desde já, divulgando informações como as deste excelente artigo, conversando com profissionais conhecidos, alertando amigos… Se deixarmos para tentar a mudança quando um filho nosso estiver internado, pode ser tarde demais. Os pais quando estão nessa situação ficam tão desgastados e confusos que talvez não estejam no melhor momento para convencer alguém.

    Parabéns pelo artigo e obrigada pela disposição em usar seus conhecimentos para esclarecer tantas distorções da realidade. Conte comigo para divulgar.

  • Garcia Cruz

    Olá!

    parabéns pela matéria. Na verdade, a situação actuação actual, em termos alimentares é tão preocupante que, aos mais conhecedores e sensíveis para esse problema assiste a especial obrigação de o denunciar e apresentar sugestões.

    Mais uma vez parabéns pelo excelente trabalho.

    Garcia Cruz

  • Diva Moraes Falcão

    Dr. Alexandre Feldman,

    A respeito da excelente matéria:”A Péssima Alimentação nas Escolas e Hospitais”, tenho à dizer o seguinte:

    Considero este assunto de utilidade pública. Estas informações veiculadas através de seu site, deveriam ter um alcance muito maior.

    As televisões, os jornais, enfim toda a grande mídia deveriam ter acesso à essas informações, para que um maior número de pessoas pudessem se beneficiar.

    O público alvo, no caso, as escolas e hospitais, deveriam ter acesso às essas informações, o mais rápido possível. Nossas crianças e nossos enfermos não podem esperar.

    Deveria existir um trabalho didático, pedagógico, que levasse as escolas e hospitais, à ter um novo olhar na responsabilidade com a alimentção de nossas crianças e enfermos.

    O Ministério da Saúde, o MEC, poderiam também se preocupar com este gravíssimo problema que é a alimentação de todas as crianças e enfermos no nosso País.

    Sugiro enviar esta matéria:”A Péssima Alimentação nas Escolas E Hospitais”, ao Ministério da Saúde e ao MEC.

    Atenciosamente,
    Diva Falcão.

  • Diva Moraes Falcão

    Dr. Alexandre feldman,

    Grata pelas preciosas informações.
    Gostaria de ter também informações à respeito do Cloreto de Magnésio.
    Dizem que tomando este composto químico, todas as dores do sistema locomotor desaparecem no espaço de um ano.Pessoas entrevadas, que perderam a capacidade de andar, por ex. passam à se locomover normalmente após um ano da ingestão do cloreto de magnésio.
    Essa informação tem embasamento científico?
    Gostaria muito de esclarecer este assunto. Pessoas da minha família estão propícias à ingestão deste suposto medicamento.
    Tenha um bom dia.
    Diva Falcão.

  • A Péssima Alimentação nas Escolas e Hospitais http://tr.im/GzwG

  • [...] E infelizmente mudou para pior: alimentos industrializados, aditivos químicos, corantes, conservantes, emulsificantes, aromatizantes, estabilizantes, adoçantes artificiais, açúcar branco, farinha refinada e óleos oxidados não são saudáveis. Definitivamente. Leia um artigo meu, detalhado, sobre estes ingredientes perigosos na alimentação, inclusive de nossas crianças, clicando aqui. [...]

  • A propósito, vocês já responderam à minha enquete sobre alimentação nas escolas? http://tr.im/GzwG

  • O que você acha da atual alimentação oferecida nas escolas? Responda a enquete http://twtpoll.com/iq5nr0 e leia meu artigo http://tr.im/GzwG

  • A Péssima Alimentação nas Escolas e Hospitais http://is.gd/5coMC Texto excelente de @enxaqueca RT por favor!!

  • RT @enxaqueca: A péssima alimentação nas escolas e hospitais: http://tr.im/GzwG Leiam com atenção e RT!!! Vale!!

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